Felinidades

 'Rato, rato, rato, porque motivo tu roeste o meu baú?' A canção satirizava as péssimas condições sanitárias do Rio de Janeiro na virada do século  XIX para o XX numa dessas novelas da vida aí. Só me lembro que eu cantava pra minha filha e trocava o rato pelo gato, claro. Sempre amei gatos. E amar gato pega. Minha irmã passou a mania pra mim, que passei pras minhas filhas. Hoje posso garantir que ao menos a mania elas tem. Se ela virou amor eu não sei, mas a mania pega. Tenho tanta amiga gateira que perdi a conta. Enquanto a galera sonha com carro de luxo ou botox eu só queria gatificar minha casa pra deixar meus filhos mais confortáveis.

Gostar de gato é um estilo de vida, e aos poucos ele foi tomando conta dos brasileiros, surpreendentemente, aliás. Porque desde que me conheço por gente o ódio à essas doces criaturas sempre esteve presente no nosso povo. Ódio. Medo. Raiva. Terror. e mais medo. 'Ai não gosto de gatoooo" Foda-se! Ninguém pediu pra você gostar. Só respeita. É o que a gente quer. E ó, tem muita gente que pensa como eu. Muita gente que ama gato de verdade. Sua doçura, sua personalidade, seu jeito preguiçoso e manhoso de ser agrada um tipo muito especial de personalidade humana. Aquela que não precisa subjulgar pra amar. Aquela que entende que quem ama deixa livre e aprecia essa liberdade.

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